Tá tudo bem?
No meio de um feed em que tudo precisa parecer perfeito, os desenhos de Pedro Vinicio abraçam o erro pra traduzir as dores e angústias do nosso tempo — e mostrar que ninguém está sozinho.
À primeira vista, as ilustrações de Pedro Vinicio podem parecer rabiscos ou meros memes. Mas é justamente essa a genialidade do artista pernambucano: através de desenhos e mensagens simples, ele representa as angústias e alegrias de muita gente. “Meu trabalho não é só arte, é tipo um Rivotril”, diz.
A imperfeição é proposital — e um dos pilares de sua arte: “A graça é arriscar e ver o que sai dali. A grande jogada é que, como eu trabalho com o erro, quando eu errar ninguém vai perceber”, conta.
Apesar de ter apenas 20 anos, Pedro consegue fazer diferentes gerações se identificarem. Além de acumular mais de 840 mil seguidores nas redes sociais, ele publicou o livro Tirando tudo tá tudo bem (editora Cobogó), ganhou exposição própria no Rio de Janeiro e em São Paulo e chamou a atenção de alguns de seus ídolos, como Caetano Veloso, Laerte Coutinho e Cildo Meirelles.
Inspirado pelo trabalho de artistas como Adriana Varejão, Tunga, John Cage e Pina Bausch, ele busca referências em tudo o que está ao redor: “O desenho é o osso, mas a carne são as coisas que eu leio, ouço e vejo”.
Ainda que seu trabalho já tenha chegado ao museu, ele não quer que fique restrito a esse espaço.
“A arte não pode estar num pedestal, tem que estar em qualquer canto. Eu me preocupo muito com isso. Quero que todo mundo possa ver, rir e se identificar.”
Pedro Vinicio
Sobre o autor
Pedro Vinicio nasceu em 2005, em Garanhuns, Pernambuco, onde vive até hoje. Se apaixonou pela arte ainda na escola e, aos 15 anos, viralizou nas redes com seus desenhos e mensagens de humor desconcertantes. Além de ter publicado um livro, é colunista da Folha de S.Paulo.









