O que tem pra jantar?
Uma reflexão sobre o trabalho invisível das mulheres que lidam (e se irritam) com essa pergunta todos os dias.
Planejar, lembrar, organizar, antecipar e coordenar são etapas que nem sempre entram na conta do esforço que uma tarefa exige, especialmente quando o assunto é trabalho doméstico.
Mas quando mal (ou nada) dividido, o cuidado com a casa, com os filhos ou com os familiares idosos — que recai principalmente sobre as mulheres — pode se tornar insuportável.
Tendo como inspiração um texto da escritora Giovana Madalosso publicado recentemente na Folha de S.Paulo, a gente reflete sobre o assunto.
Cabeça cheia
Enquanto uma pessoa está relaxando na frente da televisão no fim de um dia cansativo, a outra está pensando no peixe que precisa sair do congelador, no presente pro aniversário da sogra, na consulta que ainda não marcou ou na vacina do cachorro. O descanso não é igual pra todo mundo — e uma das razões disso tem nome: carga mental.
“Deixa que eu te ajudo”
Cortar as cebolas ou tirar o lixo quando alguém pede não significa gerenciar uma casa. Afinal, entender o que precisa ser feito, explicar a alguém como faz e acompanhar se a tarefa foi realizada já é, em si, um trabalho — e também deve ser compartilhado.
“Você é melhor nisso!”
Não, ninguém nasce com um chip programado no cérebro pra fazer a lista de compras perfeita, deixar as roupas branquinhas, lembrar de compromissos importantes ou antecipar as necessidades de uma casa e de quem está por perto. Qualquer adulto funcional pode aprender, basta querer.
“Dividir a sobrecarga mental não é apenas justo, mas fundamental pra termos as mesmas chances de florescer pessoal e profissionalmente, ou de pelo menos dormir sete horas por noite, coisa rara entre muitas mães.”
Saiba mais: “‘O que tem pra jantar?’ e a sobrecarga mental” (Folha de S.Paulo); “Sobrecarga mental: como a neurociência explica o esgotamento diário que afeta principalmente mulheres” (O Globo); “Feeling drained? Eight types of hidden work cause women to feel overwhelmed” (BBC); “Not all gaps are created equal: the true value of care work” (Oxfam).








