Bumba Meu Boi
A encenação da ressurreição do boi tem origens católicas e São João como principal padroeiro, mas vai além da religião: entre junho e julho, a festa enche as ruas de São Luís de cor, música e dança.
Apesar de ser considerada uma “brincadeira”, a festa do Bumba Meu Boi no Maranhão é coisa séria: seja nas escolas, nas praças ou nos arraiais espalhados por São Luís, a manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade tem um papel importante na manutenção da identidade maranhense.
Quem conta essa história é o fotógrafo Israel Pontes. Natural de São Luís (MA), ele vê na ressurreição do boi um dos momentos mais apoteóticos da tradição — e foi ali também que seu olhar ganhou forma.
“É justamente nessa ‘brincadeira’ que a minha trajetória como fotógrafo se alicerça. Ela foi, e continua sendo, meu principal laboratório pra desenvolver um olhar atento sobre a cultura”, conta.
A encenação pode acontecer em diferentes sotaques, que são as variações de ritmo, figurino e instrumentos. Em todos, há o encontro de três matrizes: indígena, africana e europeia — o que, segundo Israel, é uma síntese do que significa ser maranhense. Desde pequeno, o fotógrafo acompanha as celebrações como espectador. Hoje, quando aponta sua câmera, ele carrega toda essa memória e as vivências do passado.
Nas imagens feitas durante os festejos de São João em 2025, seu olhar busca os detalhes escondidos entre as fantasias e a agitação dos brincantes. “Fico ali caçando o alinhamento das fitas, o desenho do chapéu, a geometria que se esconde no movimento, permeando sempre o equilíbrio entre tradição e precisão”, explica.
“É um recorte mais íntimo, em que eu tento separar um sentimento, aprofundar nele e imprimir num registro fotográfico.”
Israel Pontes, fotógrafo
Sobre o autor
Criado no bairro do Anjo da Guarda, em São Luís (MA), Israel Pontes fotografa há 15 anos pra construir sentidos e preservar memórias. Formado em Artes Visuais no IFMA, foi finalista no concurso “Miradas al Patrimonio Cultural Inmaterial” (UNESCO/CRESPIAL) com “Boi de Promessas”, um de seus trabalhos que acompanha o Bumba Meu Boi do Maranhão. Entre a escuta de quem pertence e o cuidado de quem observa, ele carrega essa sensibilidade em expedições de documentação cultural por todo o Nordeste.













